Educação a Distância:
Retrospectiva Histórica
Suely
Trevisan Araújo*
*Mestre pela Universidade Anhembi Morumbi.
Professora da Graduação da Universidade
Anhembi Morumbi
Maria
Gil Lopes Maltez*
*Doutora pela Universidade Paul Sabatier de Toulouse
- França
A
Educação a Distância (EAD), também
chamada de Teleducação, em sua forma embrionária
e empírica é conhecida desde o século
XIX mas somente nas últimas décadas assumiu
status que a coloca no cume das atenções
pedagógicas de um número cada vez maior
de países.
O
ensino a distância surgiu da necessidade do preparo
profissional e cultural de milhões de pessoas
que, por vários motivos não podiam freqüentar
um estabelecimento de ensino presencial e evoluiu com
as tecnologias disponíveis em cada momento histórico,
as quais influenciam o ambiente educativo e a sociedade.
Inicialmente
na Grécia e, depois, em Roma, existia uma rede
de comunicação que permitia o desenvolvimento
significativo da correspondência. As cartas comunicando
informações científicas inauguram
uma nova era na arte de ensinar. Segundo Lobo Neto (1995)
um primeiro marco da educação a distância
foi o anúncio publicado na Gazeta de Boston,
no dia 20 de março de 1728, pelo professor de
taquigrafia Cauleb Phillips: "Toda pessoa da região,
desejosa de aprender esta arte, pode receber em sua
casa várias lições semanalmente
e ser perfeitamente instruída, como as pessoas
que vivem em Boston."
Em 1833, um anúncio publicado na Suécia
já se referia ao ensino por correspondência
e na Inglaterra, em 1840, Isaac Pitman sintetiza os
princípios da taquigrafia em cartões postais
que trocava com seus alunos.
No
entanto, o desenvolvimento de uma ação
institucionalizada de educação a distância
tem início a partir da metade do século
XIX.
Em
1856, em Berlim, Charles Toussaint e Gustav Langenscheidt
fundam a primeira escola por correspondência destinada
ao ensino de línguas. Posteriormente, em 1873,
em Boston, Anna Eliot Ticknor cria a Society to Encourage
Study at Home. Em 1891, Thomas J. Foster, em Scarnton
(Pennsylvania) inicia o International Correspondence
Institute com um curso sobre medidas de segurança
no trabalho de mineração.
Em
1891, a administração da Universidade
de Wisconsin aceita a proposta de seus professores para
organizar cursos por correspondência nos serviços
de extensão universitária.
Um
ano depois, em 1892, o Reitor da Universidade de Chicago,
William R. Harper, que já havia experimentado
a utilização da correspondência
na formação de docentes para as escolas
dominicais criou uma Divisão de Ensino por Correspondência
no Departamento de Extensão daquela Universidade.
Por
volta de 1895, em Oxford, Joseph W. Knipe, após
experiência bem sucedida preparando por correspondência
duas turmas de estudantes, a primeira com seis e a segunda
com trinta alunos, para o Certificated Teacher's Examination,
inicia os cursos de Wolsey Hall utilizando o mesmo método
de ensino.
Em
1898, em Malmoe na Suécia, Hans Hermod, diretor
de uma escola que ministrava cursos de línguas
e cursos comerciais, oferece o primeiro curso por correspondência
dando início ao famoso Instituto Hermod.
No final da primeira guerra mundial surgem novas iniciativas
de ensino a distância em virtude de um considerável
aumento da demanda social por educação,
confirmando de certo modo, as palavras de William Harper,
escritas em 1886:
Chegará
o dia em que o volume da instrução recebida
por correspondência será maior do que o
transmitido nas aulas de nossas academias e escolas;
em que o número dos estudantes por correspondência
ultrapassará o dos presenciais; ...
O
aperfeiçoamento dos serviços de correio,
a agilização dos meios de transporte e
sobretudo o desenvolvimento tecnológico aplicado
ao campo da comunicação e da informação
influíram decisivamente nos destinos da educação
a distância. Em 1922, a antiga União Soviética
organiza um sistema de ensino por correspondência
que em dois anos passou a atender 350.000 usuários.
A França cria em 1939 um serviço de ensino
por via postal para a clientela de alunos deslocados
pelo êxodo.
A partir daí, começa a utilização
de um novo meio de comunicação, o rádio,
que penetra também no ensino formal. O rádio
alcançou muito sucesso em experiências
nacionais e internacionais, tendo sido bastante explorada
na América Latina nos programas de educação
a distância do Brasil, Colômbia, México,
Venezuela, entre outros.
A partir das décadas de 60 e 70, a educação
a distância, embora mantendo os materiais escritos
como base, passa a incorporar articulada e integradamente
o áudio e o videocassete, as transmissões
de rádio e televisão, o videotexto, o
computador e mais recentemente, a tecnologia de multimeios,
que combina textos, sons, imagens, assim como, mecanismos
de geração de caminhos alternativos de
aprendizagem (hipertextos, diferentes linguagens) e
instrumentos para fixação de aprendizagem
com feedback imediato (programas tutoriais informatizados),
etc.
Atualmente
o ensino não presencial mobiliza os meios pedagógicos
de quase todo o mundo, tanto em nações
industrializadas como em países em desenvolvimento.
Novos e mais complexos cursos são desenvolvidos,
tanto no âmbito dos sistemas de ensino formal
quanto nas áreas de treinamento profissional.
Pode-se ver inúmeros exemplos visitando-se os
sites de universidades.
Um
desafio, uma necessidade imperiosa dos tempos modernos,
uma imposição a que não se pode
fugir, seja o que for, a educação a distância
é uma das soluções para os tempos
atuais. As novas tecnologias de comunicação
e informação como a televisão,
o vídeo, a informática - com a Internet
ganhando espaços cada vez maiores - sem desprezar
os meios tradicionais de correio, telefone e postos
pedagógicos organizacionais - convidam, se é
que não exigem, um aproveitamento amplo de suas
possibilidades em benefício da educação.
De
fato, em função de fatores como o modelo
de EAD de que se parta, os apoios políticos e
sociais com que se conte, as necessidades educativas
da população, o desenvolvimento das tecnologias
de comunicação e informação,
há grande diversidade de formas metodológicas,
estruturais e projetos de aplicação para
essa modalidade de educação.
A
educação a distância foi utilizada
inicialmente como recurso para superação
de deficiências educacionais, para a qualificação
profissional e aperfeiçoamento ou atualização
de conhecimentos. Hoje, cada vez mais é também
usada em programas que complementam outras formas tradicionais,
face a face, de interação e é vista
por muitos, como uma modalidade de ensino alternativo
que pode substituir parte do sistema regular de ensino
presencial. A Open University1, por exemplo, oferece
comercialmente somente cursos a distância, tanto
cursos regulares como profissionalizantes. A Virtual
University2 oferece cursos gratuitos.
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* Artigo extraído, na íntegra,
da revista Nexus, número 7, ano IV. Material
cedido pela editora
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